YVETTE CENTENO

Biografia

Obra

Sobre a obra

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Prémios

Fotografia de Graça Sarsfield
in Vozes e Olhares no Feminino, Edições Afrontamento, Porto 2001

 

 

 

Outras páginas Web

http://www.liv-arcoiris.pt/bienal98/Bibliografia/paginas/yvette.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Biografia

Nasceu em Lisboa, em 1940, de família de origem germano-polaca. Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1963, tendo começado a leccionar como assistente na mesma faculdade no ano seguinte. Em 1974, passa a leccionar na Universidade Nova de Lisboa, onde é actualmente professora catedrática na área de Literatura Comparada e Coordenadora do
Departamento de Estudos Alemães. Fundou e dirige o Gabinete de Estudos de Simbologia, assim como um núcleo de estudos 'Teatro e Sociedade'. 

O teatro tem constituído para Yvette Centeno uma constante desde a juventude. Foi co-fundadora do CITAC, um dos mais importantes grupos de teatro universitário, de Coimbra. Desde então, para além da escrita para teatro, acompanha a actividade teatral do país, tendo sido convidada para o Conselho de Teatro (1987) e nomeada directora do I Festival Internacional de Teatro (Lisboa, 1991). É Directora do Serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian. 

Tem desempenhado cargos como consultora e comissária em várias iniciativas governamentais e de âmbito cultural , nomeadamente na Comissão de Qualidade do Cinema; Comissão Executiva da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e
Cultura; Comissão para as Comemorações do Cinquentenário da morte de Fernando Pessoa (em Londres); Grupo de peritos da Comissão das Comunidades Europeias para a tradução de obras literárias contemporâneas; Conselho Cultural da Fundação Culturgest, etc. 

A sua obra, para além da poesia, do teatro e da narrativa — onde se destaca o tríptico constituído por Quem, se eu gritar?, Não Só Quem Nos Odeia e As Palavras, Que Pena, romances reunidos no volume Três Histórias de Amor —, conta com um considerável volume de ensaios. A unir todas as facetas desta obra, uma incursão pelos domínios do simbólico, que constitui um campo de investigação à volta do
qual se tem estruturado, de uma forma ou de outra, o seu trabalho: a busca incessante da palavra que ligue, que una, que faça comunicar, as pessoas, as realidades, os mistérios. 

Na obra ensaística, destacam-se as várias obras sobre aspectos da vida e da poesia de Fernando Pessoa. 

É autora de traduções para português de obras de, entre outros, Stendhal, Goethe, Shakespeare, Brecht, Celan e René Char.

É Chevalier dans l'Ordre des Palmes Académiques por decreto do Primeiro Ministro Francês (1997) e foi condecorada com a Verdienstkreuz 1. Klasse, atribuída pelo Presidente da República Federal da Alemanha (1994).

 

 

 

 

 

 

 

Obra


Poesia
Opus I. Lisboa: Ática, 1961.
O Barco na Cidade. Lisboa: Guimarães, 1965.
Poemas Fracturados. Lisboa: Guimarães, 1967.
Irreflexões. Lisboa: Ática 1974.
Sinais. Porto: O Oiro do Dia 1977.
Algol. Porto: O Oiro do Dia, 1979.
Perto da Terra. Lisboa: Presença, 1983.
Entre Silêncios. Guimarães: Pedra Formosa. 1997. 

Teatro
Teatro Aberto. Lisboa: Ática, 1974.
Saudades do Paraíso. Lisboa: Moraes, 1980.
Peças Bem Comportadas. Lisboa: & etc., 1982.
As Três Cidras do Amor. (infantil) Lisboa: Cotovia, 1991.
Será Deus o Dr. Freud?. Lisboa: Escritor, 1995.
O Pecado Original. Lisboa: Escritor, 1997.
Os Sapatos (e outros exercícios cruéis). Lisboa: & etc. (no prelo). 

Ficção
Quem, Se Eu Gritar? Lisboa: Ática, 1962.
Não Só Quem Nos Odeia. Lisboa: Portugália, 1966.
As Palavras, Que Pena. Lisboa: Ática, 1972.
No Jardim das Nogueiras. Lisboa: Bertrand, 1983.
As Muralhas. Lisboa: & etc, 1986.
Matriz. Lisboa: Presença, 1988.
Três Histórias de Amor. Porto: Asa, 1994. 

Infantil
O Miguel e o Gigante. Lisboa: Bertrand, 1982.
Era uma Vez uma Maçã. Lisboa: Plátano, 1982. 

Ensaio
5 Aproximações. Lisboa: Ática, 1975.
A Simbologia Alquímica no Conto da Serpente Verde de Goethe. Lisboa: Univs. Nova, 1976.
Fernando Pessoa: Tempo, Solidão, Hermetismo (com Stephen Reckert). Lisboa: Moraes, 1978.
Símbolos de Totalidade na Obra de Herman Hesse. Lisboa: A Regra do Jogo, 1978.
A Viagem de "Os Lusíadas": Símbolo e Mito (com vários). Lisboa: Arcádia, 1981.
A (Más)cara Diante da Cara (com vários). Lisboa: Arcádia, 1982.
A Alquimia e o Fausto de Goethe. Lisboa: Arcádia, 1983.
A Alquimia do Amor. Lisboa: A Regra do Jogo, 1983.
Fernando Pessoa: o Amor, a Morte, a Iniciação. Lisboa: A Regra do Jogo, 1984.
Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética. Lisboa: Presença, 1985.
Tratado da Ennoea de Anselmo Caetano (apresentação de um facsimile do séc. XVIII). Lisboa: Fundação C. Gulbenkian, 1987.
Literatura e Alquimia. Lisboa: Presença, 1987.
Fernando Pessoa: Os Trezentos e Outros Estudos. Lisboa: Presença, 1988.
O Pensamento Esotérico de Fernando Pessoa. Lisboa: & etc., 1990.
A Arte de Jardinar: Do Símbolo no Texto Literário. Lisboa: Presença, 1991.
Tratado do Vitríolo dos Filósofos (ms. inédito de Duarte Madeira Arrais). Lisboa: Salamandra, 1993.
Portugal: Mitos Revisitados (com outros). Lisboa: Salamandra, 1993.
Hermetismo e Utopia. Lisboa, Salamandra, 1995.
O Sonho e o Símbolo. Lisboa: Presença (no prelo).

Traduções:

Espanhol
Las Murallas (As Muralhas) Trad. Nicolas Estremeran Granada: Universidade de Granada, 1982. 

Italiano
Gli Abbraci Feriti (antologia de poemas). Trad. Adelina Aletti. Roma: Feltrinelli, 1980. 

Francês
Pas seulement la haine (Não só quem nos odeia). Trad. R. Quemserat. Paris: Mercure de France, 1968.

 

 

 

 

 

Citações sobre a obra

 

O modo verbal predilecto de Yvette Centeno é o interrogativo, expresso ou implícito, e o seu tempo verbal favorecido o presente;
mas um presente implicitamente projectado em direcção ao futuro, o que quer dizer que essa escrita é uma procura, e um
percurso. 

Stephen Reckert

Mais uma vez é possível assinalar uma obra de ficção incomum nas letras portuguesas, incomum por diversos motivos, dos quais
os mais importantes são a técnica de contraponto entre a ode e a vida do romance, e a própria técnica narrativa, que não poupa o
leitor ao rumoroso e envolvente mundo poético onde as personagens se movimentam. O leitor é jogado, sem descanso, da
narradora para a narrativa, e da narrativa para a narradora. 

Fernando Mendonça
Univs. de S. Paulo, Brasil.

Cette histoire simple et belle comme le flux et le reflux de la marée permet à Y. K. Centeno d'exercer les sortilèges d'une écriture
étonnamment déliée et gracieuse, vivante et inventive... Dans l'ardeur solaire, le sentiment de la nature est à la fois intériorisation et
extase, secret intime et abandon à la matière. 

sobre Quem, se eu gritar?
in Lettres Françaises, 18.12.68

Il y a dans ce premier récit traduit en français de la jeune romancière et poétesse portugaise Yvette Kace Centeno une fraicheur de
sensation, un gout du bonheur en même temps q'une sagesse un peu mélancolique qui ne sont pas sans rappeler le ton de
Chardonne. Mais un Chardonne de style manuélin, c'est-à-dire, d'un classicisme baroque.

sobre Quem, se eu gritar?
in Les Nouvelles Littéraires, 2.1.69

Que a poesia de Pessoa exige uma referenciação ao hermetismo é um facto que Yvette Centeno ajudou a tornar criticamente
irrecusável (...) O maior mérito da atitude crítica de Yvette Centeno perante os textos que apresenta como "linhas de investigação"
talvez seja o de não se apressar a dar respostas fáceis às difíceis perguntas que eles solicitam, sem que, por outro lado (e como
lhe cumpre), se impeça de propor como a sua própria linha de investigação a precedência do misticismo sobre a estética na obra
de Pessoa (...) No fim da leitura destes dois livros, o leitor (e certamente este leitor) não pode senão congratular Yvette Centeno
por o ter deixado com mais perguntas do que respostas sobre qual a natureza da obra de Fernando Pessoa e sobre como
perspectivar o sentido inerente à sua modernidade literária. 

Helder Macedo
in Colóquio/Letras, Jan/Fev, 1987

Com liberdade formal, com o caos livre, sobretudo com o prazer evidente (e vidente), Yvette K. Centeno cria o texto teatral (...)
"Será Deus o Dr. Freud?", pergunta o título do volume, o que imediatamente sinaliza o território sem fronteiras, sem impedimentos;
nem reis, nem santos, nem códigos, nem regras. A linguagem, as caleidoscópicas situações, ora podiam inquietar um
conservador do palco, ora estimular os outros. (...) Teatro contra teatro? Sim, mas teatralmente. Sim, a caixa de Pandora. 

Jorge Listopad
JL – Jornal de Letras, 22/11/95 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Textos online

 

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Prémios

Prémio Jacinto do Prado Coelho, (Associação dos Críticos Literários), 1984 ( Fernando Pessoa: o Amor, a Morte, a Iniciação).


Prémio de Poesia da revista Mulheres, 1984 (Perto da Terra).