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Sophia de Mello Breyner Andresen
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| Biografia | |
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Sophia de Mello Breyner Andresen é, sem sombra de dúvida, um dos maiores poetas portugueses contemporâneos – um nome que se transformou, em sinónimo de Poesia e de musa da própria poesia. Sophia nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família aristocrática. A sua infância e adolescência decorrem entre o Porto e Lisboa, onde cursou Filologia Clássica. Após o casamento com o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares, fixa-se em Lisboa, passando a dividir a sua actividade entre a poesia e a actividade cívica, tendo sido notória activista contra o regime de Salazar. A sua poesia ergue-se como a voz da liberdade, especialmente em "O Livro Sexto". Foi sócia fundadora da "Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos"e a sua intervenção cívica foi uma constante, mesmo após a Revolução de Abril de 1974, tendo sido Deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista. Profundamente mediterrânica na sua tonalidade, a linguagem poética de Sophia de Mello Breyner denota, para além da sólida cultura clássica da autora e da sua paixão pela cultura grega, a pureza e a transparência da palavra na sua relação da linguagem com as coisas, a luminosidade de um mundo onde intelecto e ritmo se harmonizam na forma melódica, perfeita, do poema. Luz, verticalidade e magia estão, aliás, sempre presentes na obra de Sophia, quer na obra poética, quer na importante obra para crianças que, inicialmente destinada aos seus cinco filhos, rapidamente se transformou em clássico da literatura infantil em Portugal, marcando sucessivas gerações de jovens leitores com títulos como "O Rapaz de Bronze", "A Fada Oriana" ou "A Menina do Mar". Sophia é ainda tradutora para português de obras de Claudel, Dante, Shakespeare e Eurípedes, tendo sido condecorada pelo governo italiano pela sua tradução de "O Purgatório".
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| Poesia online | |
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Retrato
de uma princesa desconhecida
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Porque
os outros se mascaram mas tu não Porque
os outros usam a virtude Para
comprar o que não tem perdão. Porque
os outros têm medo mas tu não. Porque
os outros são os túmulos caiados Onde
germina calada a podridão. Porque
os outros se calam mas tu não. Porque
os outros se compram e se vendem E
os seus gestos dão sempre dividendo. Porque
os outros são hábeis mas tu não. Porque
os outros vão à sombra dos abrigos E
tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque
os outros calculam mas tu não. “No Tempo
Dividido e Mar
Novo”, Edições Salamandra, 1985, p. 79
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Aquele
que profanou o mar E
que traiu o arco azul do tempo Falou
da sua vitória Disse
que tinha ultrapassado a lei Falou
da sua liberdade Falou
de si próprio como de um Messias Porém
eu vi no chão suja e calcada A
transparente anêmona dos dias. “No Tempo Dividido e Mar Novo”, Edições Salamandra, 1985, p. 67
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Retrato de uma princesa desconhecida Para
que ela tivesse um pescoço tão fino Para
que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule Para
que os seus olhos fossem tão frontais e limpos Para
que a sua espinha fosse tão direita E
ela usasse a cabeça tão erguida Com
uma tão simples claridade sobre a testa Foram
necessárias sucessivas gerações de escravos De
corpo dobrado e grossas mãos pacientes Servindo
sucessivas gerações de príncipes Ainda
um pouco toscos e grosseiros Ávidos
cruéis e fraudulentos Foi
um imenso desperdiçar de gente Para
que ela fosse aquela perfeição Solitária exilada sem destino
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Quando a pátria que temos não a temos
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O meu país sabe as amoras bravas
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Se todo o ser ao vento abandonamos
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Aqui nesta praia onde
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Por um país de pedra e vento duro
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Tempo de solidão e de incerteza
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Tão longo caminho
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Assim pudesse o
poema In Ilhas, Obra Poética III, p. 298
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Biografia
Tive amigos que morriam, amigos que partiam Outros quebravam o seu rosto contra o tempo. Odiei o que era fácil Procurei-te na luz, no mar, no vento. "No Tempo Dividido e Mar Novo", 1985: 82 |
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CIDADE 1944
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O
poema
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Poesia Poesia, Coimbra, ed. da autora (3ª ed., Lisboa, Ática, 1975), 1944. Dia do Mar, Lisboa, Ática, 1947. Coral, Porto, Livraria Simões Lopes (2ª ed., ilustrada por Escada, Lisboa, Portugália,1968, 3ª ed., s.l., s.d.), 1950. Tempo Dividido, Lisboa, Guimarães Editores, 1954. Mar Novo, Lisboa, Guimarães Editores, 1958. Cristo Cigano, ilustrado por Júlio Pomar, s.l., Minotauro (2ª ed., Lisboa, Moraes, 1978), 1961. Livro Sexto, s.l. [Lisboa], Salamandra, 1962. Geografia, Lisboa, Ática (3ª ed., Lisboa, Salamandra), 1967. Antologia, Lisboa, Portugália (5ª ed., aumentada com prefácio de Eduardo Lourenço, Porto, Figueinhas), 1968. Grades - Antologia de Poemas de Resistência, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1970. 11 Poemas, Lisboa, Movimento, 1971. Dual, Lisboa, Moraes Editores (3ª ed., Lisboa, Salamandra, 1986), 1972. O Nome das Coisas, Lisboa, Moraes Editores (2ª ed., Lisboa, Salamandra, 1986), 1977. Poemas Escolhidos, Lisboa, Círculo de Leitores, 1981. Navegações, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda (2ª ed., Lisboa, Caminho), 1983. No Tempo e Mar Novo, 2ª ed., revista e ampliada, Lisboa, Salamandra, 1985. Antologia, Porto, Figueirinhas, 1985. Ilhas, Lisboa, Texto Editora, 1989. Obra Poética, vol. I, Lisboa, Caminho, 1990. Obra Poética, vol. II, Lisboa, Caminho, 1991. Obra Poética, vol. III, Lisboa, Caminho, 1991. Obra Poética I, Lisboa, Círculo de Leitores, 1992. Obra Poética II, Lisboa, Círculo de Leitores, 1992. Musa, Lisboa, Caminho, 1994. Signo - Escolha de Poemas, Lisboa, Casa Pessoa, 1994. O Búzio de Cós e Outros Poemas, Lisboa, Caminho, 1997.
Prosa Rapaz de Bronze (O), Lisboa, Minotauro (2ª ed., Lisboa, Moraes, 1978), 1956. Menina do Mar (A), Porto, Figueirinhas (17ªed., 1984), 1958. A Fada Oriana, Porto, Figueirinhas (l2ªed., 1983), 1958. Noite de Natal, Lisboa, Ática, 1960. Contos Exemplares, Lisboa, Moraes (23ªed., prefácio de António Ferreira Gomes, Porto, Figueirinhas, 1990), 1962. Cavaleiro da Dinamarca (O), Porto, Figueirinhas (21ª ed., 1984), 1964. Os Três Reis do Oriente, desenhos de Manuel Lapa, s.l., Estúdio Cor, 1965. Floresta (A), Porto, Figueirinhas (16ª ed., 1983), 1968. Tesouro, Porto, Figueirinhas, 1978. Contos: 1979, ilust. de Vieira da Silva, Lisboa, Galeria São Mamede, 1979. Histórias da Terra e do Mar, Lisboa, Salamandra (3ªed., Lisboa, Texto Editora, 1989), 1984. Árvore (A), Porto, Figueirinhas (3ª ed., 1987), 1985. Era Uma Vez Uma Praia Lusitana, Lisboa, Expo 98, 1997.
Ensaio "A poesia de Cecíla Meireles", Cidade Nova, 4ª série, nº 6, Novembro, 1956. "Poesia e Realidade", Colóquio - Revista de Artes e Letras, nº 8, 1960. "Hölderlin ou o lugar do poeta", Jornal de Comércio, 30 de Dez., 1967. O Nu na Antiguidade Clássica, (col. O Nu e a Arte) Lisboa, Estúdios Cor (2ª ed., Lisboa, Portugália; 3ªed. [revista], Lisboa, Caminho, 1992), 1975. "Torga, os homens e a terra", Boletim da Secretaria de Estado da Cultura, Dezembro, 1976. "Luís de Camões. Ensombramentos e Descobrimentos", Cadernos de Literatura, nº 5, 1980. "A escrita (poesia)", Estudos Italianos em Portugal, nº 45/47, 1982/1984.
Traduções pela Autora A Anunciação de Maria, de Paul Claudel, Paris, Aster, 1962. O Purgatório, de Dante, Lisboa, Minotauro, 1962. "A Hera", "A última noite faz-se estrela e noite" (Vasko Popa); "Às cinzas", "Canto LI", "Canto LXVI" (Pierre Emmanuel); "imagens morrendo no gesto da", "Gosto de te encontrar nas cidades estrangeiras" (Edouard Maunick), O Tempo e o Modo, nº 22, 1964. Muito Barulho por Nada, de William Shakespeare (inédito), [1964]. Hamlet, de William Shakespeare, Porto, Lello, 1965. "Os reis Magos", tradução de um poema do Eré Frene, Colóquio - Revista de Artes e Letras, nº 43, 1967. Quatre Poètes Portugais: Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, 2ª ed., Lisboa, Presses Universitaires de France e Fundação Calouste Gulbenkian, 1970. A Vida Quotidiana no Tempo de Homero, de Émile Mireaux, Lisboa, Livros do Brasil, s.d. [1979]. Ser Feliz, de Leif Kristianson, Lisboa, Presença, 1980. Um Amigo, de Leif Kristianson, Lisboa, Presença, 1981. Medeia, de Eurípedes (inédito) [199-].
Registo Áudio DECLARAÇÕES E LEITURA DE POEMAS PELA AUTORA "25 de Abril de 1974" - Significado cultural e declamação de Mário de Andrade: "Canção de Sabaú", Rádio Difusão Portuguesa, 9 de Mai., 1974. "Declamação do poema 'No nosso e no vosso coração'" (Manuel Beira) e declaração sobre a "beleza", Rádio Difusão Portuguesa, 7 de Set., 1974. Declaração sobre a literatura portuguesa depois de 25 de Abril. (Com Melo e Castro e Vasco Graça Moura, gravado em 28-5-1980 pela Rádio Sueca e posteriormente difundido pela Rádio Difusão Portuguesa.), 1980. Declaração sobre o Dia Mundial da Criança, Rádio Difusão Portuguesa, 30 de Mai., 1980. Declaração sobre o significado do uma condecoração, Rádio Difusão Portuguesa, 10 de Jun., 1980. Sophia de Mello Breyner Andresen diz Navegações, (7''), MVSARVUM OFFICIA, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1983. "Sophia de Mello Breyner - Personalidade humana e literária: o significado da sua poesia", Rádio Difusão Portuguesa, 25 de Abr., 1985.
"Cantata da Paz", cantada pelo Padre Fanhais (escrita por Rui Paz), Rádio Difusão Portuguesa, 1991. "Porque", cantada pelo Padre Fanhais (escrita por Francisco Fernes), Rádio Difusão Portuguesa, 1991. Signo - Escolha de Poemas , (Declamação dos poemas da antologia por Luís Miguel Cintra), Lisboa, Casa Pessoa, 1994. "A paz sem vencedor...", Som da Poesia, (dito por Isabel Machado) nº 3, Jan., http://www.pagina.de/somdapoesia , 1994 "Sem Título", Som da
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La Différence, 1999. Publicações em Revistas e Jornais Estrangeiros "Sophia de Mello Breyner Andresen", Mundus Artium, trad. Jean R. Longland, vol. 7, nº 2, 1974. "An autumn morning in the Palace at Sintra", Mundus Artium, trad. Alexis Levitin, vol. 11, nº 1, 1979. "Portrait of an unknown princess", Mundus Artium, trad. Alexis Levitin, vol. 11, nº 1, 1979. "Translation", Chelsea Review, (não se apurou o nome do tradutor,) nº 41, 1982. "Seven poems", Mundus Artium, trad. Lisa Sapinkopf, vol. 14, nº 2, 1984. "Assassination of Simonetta Vespucci", New Orleans Review, trad. Lisa Sapinkopf, vol. 11, nº 2, Summer, 1984. "The small square", The Times Literary Supplement, trad. Ruth Fainlight, 30 Dez., 1994. "The house by the sea", The Literary Review, trad. Alexis Levitin, vol. 38, Summer, 1995. "Portrait of an unknown princess" e "Morning walk", (não se apurou o nome do tradutor,) The Prague Revue, nº 5, Winter-Spring, 1998.
Primeiras Edições "Poesia" ["Senhor", Poesia I], Cadernos de Poesia, nº 1, 1940. "O vidente e outro Poema" ["O vidente", Poesia I], Aventura - Revista Bimestral de Cultura, nº 1, Maio, 1942. "Poema" ["Sinto os mortos", Poesia I], Variante, Inverno, 1943. "Aos outros dei aquilo que não eram" ["Saga", No Tempo Dividido], Unicórnio - Antologia de Inéditos de Autores Portugueses Contemporâneos, Maio, 1948. "Soneto a Eurídice" [Idem, No Tempo Dividido], Unicórnio - Antologia de Inéditos de Autores Portugueses Contemporâneos, Maio, 1951. "As Três Parcas" [Idem, Mar Novo], Europa - Jornal de Cultura, nº 1, Jan., 1957. "Assassinato de Simoneta Vespucci" [Idem, Coral], Estada Larga (Antologia do Suplemento "Cultura e Arte" de O Comércio do Porto, editado por Costa Barreto), nº 3, Porto, Porto Editora, s.d. [1963?]. "Poema" [Idem, Geografia], O Tempo e o Modo, nº 12, 1964. "Manuel Bandeira" [idem, Geografia], Colóquio - Revista de Artes e Letras, nº 41, 1966. "Camões e a Tença" [Idem, Dual], Ocidente - Revista Portuguesa de Cultura, nº 415, vol. LXXXII, Novembro, 1972. "Cíclades" [Idem, O Nome das Coisas ], Nova - Magazine de Poesia e Desenho, ed. Herberto Hélder, Inverno, 1975. "Poeta em Lisboa" ["'Fernando Pessoa ou Poeta em Lisboa'", O Nome das Coisas]; "A civilização em que estamos" ["O rei de Ítaca", O Nome das Coisas], Critério - Revista Mensal de Cultura, nº 6, Abr., 1976. "Destruição" ["Tempo de não", Ilhas], Loreto 13 - Revista Literária da Associação Portuguesa de Escritores, nº 1, Jan., 1978. "Persona" [Idem, Ilhas]; "Fragmento de Os Gracos" [Idem, Ilhas] - Colóquio-Letras, nº 56, 1980. "Tão Grande a Dor"; "Salgueiro Maia"; "Fidelidade"; "À Maneira de Horácio" [Musa], Jornal de Letras, 23 Fev., 1994.
Poemas não incluídos na Obra Poética "Juro que venho pra mentir"; "És como a Terra-Mãe que nos devora"; "O mar rolou sobre as suas ondas negras"; "História improvável"; "Gráfico", Távola Redonda - Folhas de Poesia, nº 7, Julho, 1950. "Reza da manhã de Maio"; "Poema", A Serpente - Fascículos de Poesia, nº 1, Janeiro, 1951. "Caminho da Índia", A Cidade Nova, suplemento dos nº 4-5, 3ª série, Coimbra,1958. "A viagem" [Fragmento do poema inédito "Naufrágio"], Cidade Nova, 5ª série, nº 6, Dezembro, 1958. "Novembro"; "Na minha vida há sempre um silêncio morto"; "Inverno", Fevereiro - Textos de Poesia, 1972. "Brasil 77", Loreto 13 - Revista Literária da Associação Portuguesa de Escritores, nº 8, Março, 1982. "A veste dos fariseus", Jornal dos Poetas e Trovadores - Mensário de Divulgação Cultural, nº 5/6, 2ª série, Março/Abril, 1983. "Oblíquo Setembro de equinócio tarde", Portugal Socialista, Janeiro, 1984. "Canção do Amor Primeiro", Sete Poemas para Júlio (Biblioteca Nacional, cota nº L39709), 1988. "No meu Paiz", Escritor, nº 4, 1995. "D. António Ferreira Gomes. Bispo do Porto"; "Naquele tempo" ["Dois poemas inéditos"], Jornal de Letras, 16 Jun., 1999.
Entrevistas COELHO, Alexandra Lucas, "No jardim de Sophia", Público, 12 Jun., 1999. COELHO, Eduardo Prado, "Sophia de Mello Breyer Andresen fala a Eduardo Prado Coelho", ICALP Revista, nº 6, Ago./Dez., 1986. COIMBRA, Sérgio, Independente, 13 de Out., 1995. COSTA, Soledade Martinho, Diário de Lisboa, 31 de Jan., 1979. FRANÇA, Elisabete, Diário de Notícias, 24 de Nov., 1994. GUERREIRO, António, Expresso, 15 de Jul., 1990. LEMOS, Vergílio de, Ler, nº 7, Círculo de Leitores, 1989. LEMOS, Vergílio de, Oceanos, Julho, 1990. PASSOS, Maria Armanda, Jornal de Letras, 16 de Mar., 1982. PEREIRA, Miguel Serras, Jornal de Letras, 5 de Fev., 1985. SIGALHO, Lúcia, Vida Mundial, 31 de Mai., 1989. SILVA, Sérgio S., Semanário, 7 de Jan., 1989. TOMÉ, Luís Figueiredo, Diário de Notícias, 20 de Dez., 1987. VASCONCELOS, José Carlos de, "Sophia:
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Na Comunicação Social "Sophia de Mello Breyner na A.P.E.": "A liberdade, para mim, não é unilateral: abrange o respeito pela liberdade dos próprios inimigos", O Século, 15 de Abr., 1976 "Respeito pelo pluralismo e defesa total da liberdade de criação e expressão", Diário de Notícias, 15 de Abr., 1976. "O direito à cultura é um direito fundamental.", A Capital, 30 de Abr., 1977. "Os julgamentos de Moscovo", A Capital, 27 de Jul.,1978. "Porque apoio Eanes", O Jornal, 28 de Nov., 1981. "Mário Soares estará sempre onde estiver a liberdade", Revista do Povo, Janeiro, 1986. "Tenho esperança mas não confiança", Diário de Notícias, 1 de Jan., 1990. "Falar do que vi", Ler, Círculo de Leitores/Instituto Português do Livro e da Leitura, Ago./Set., 1990. "Sophia contra o Acordo Ortográfico", Jornal de Letras, 25 de Jun., 1991. "Naquele Tempo" [sobre Mário Soares], Jornal de Letras, 7 de Dez., 1994.
Outras intervenções Poesia Sempre I [Antologia de poesia portuguesa seleccionada pela Autora e Alberto de Lacerda] , Lisboa, Livraria Sampedro, 1964. Poesia Sempre II [Antologia de poesia portuguesa seleccionada pela Autora], Lisboa, Livraria Sampedro, 1964. [Introdução,] Catálogo da Exposição de Escada, Lisboa, Livraria São Mamede, 1979. "Sicília", Grande Reportagem, nº 5, Ano II, 2ª série, Publicações Dom Quixote, 1991. Primeiro Livro de Poesia: Poemas em Língua Portuguesa para a Infância e a Adolescência, ilustrado por Júlio Resende, Lisboa, Caminho, 1991. [Prefácio], APARÍCIO, João, À Janela de Timor, Lisboa, Caminho, 1997.
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| Ensaística
Teses Académicas AMARAL, Fernando Pinto do, "Sophia e Eugénio de Andrade", Discurso e Imagens da Melancolia na Poesia do Séc. XX [Tese de Doutoramento], Lisboa, Faculdade de Letras de Lisboa, 1997. BORGES, Maria João Quirino, A Arte Poética de Sophia de Mello Breyner como "Arte do Ser": Os Contos como Explicação de uma Poética [Tese de Mestrado], Lisboa, Faculdade de Letras de Lisboa, 1987.Em Torno do Conceito de "Poesia Pura": Cinatti, Sophia e Eugénio de Andrade (A poesia como investidura, iniciação e respiração) [Tese de Doutoramento], Lisboa, Faculdade da Letras de Lisboa, 1996. CEIA, Carlos, The Way of Delphi - A Reading of the Poetry of Sophia de Mello Breyner Andresen [Tese de Doutoramento], Cardiff, Universidade do País de Gales, 1990. KLOBUCKA, Anna, O Formato Mulher: As Poéticas do Feminino na Obra de Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Teresa Horta, Luíza Neto Jorge [Tese de Doutoramento], Cambridge/Massachusets, Harvard University, 1993. MONTERO, Inmaculada Báez, Literatura Infantil: Sophia de Mello Breyner Andresen [Tese de Licenciatura], Santiago de Compostela, Universidade de Santiago de Cospostela, 1986. VASCONCELOS, Maria Elizabeth de, A Harmonia da Procura: a Obra de Sophia de Mello Breyner e seu Modelo Ciclo [tese mimeografada], Rio de Janeiro, Faculdade de Letras da Faculdade Federal do Rio de Janeiro, 1980.
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Prémios e distinções |
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Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, 1964 (Canto Sexto)
Prémio da Fundação Luís Miguel Nava, 1998 (pelo livro O Búzio de Cós e Outros Poemas)
Prémio Max Jacob Étranger, 2001
Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, 2003
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Oitenta rosas para Sophia Alexandra Lucas Coelho, PÚBLICO, 06 de Novembro, 1999 Sophia é uma forma absoluta de estar no mundo à espera das coisas belas. Cresceu entre rosas nocturnas e manhãs de mar. Escreveu desde o princípio. Lutou com a palavra, quando foi preciso. Não teve medo. Continuamos a aprender com ela. Faz hoje 80 anos.
Era mesmo assim, como no primeiro verso deste poema: noite escura, a jovem Sophia saía para o jardim da avó, semi-abandonado, colhia braçadas de rosas e trazia-as para casa. Punha-as numa jarra, frente à janela do seu quarto. E, enquanto escrevia, desfolhava-as e trincava-as. Não é preciso perguntar porquê: o poema diz. O que apetece hoje, dia em que Sophia de Mello Breyner Andresen faz 80 anos, é levar-lhe uma braçada de rosas para ela pôr junto à sua janela, com vista para o jardim que Gonçalo Ribeiro Telles desenhou, e para o rio. Na casa da Travessa das Mónicas, em Lisboa, de que Sophia tanto gosta e onde vive praticamente desde que deixou o Porto e veio para Lisboa. Foi precisamente no Porto que nasceu, na Quinta do Campo Alegre, numa casa grande, sempre cheia de irmãos - João Henrique, Thomaz e Gustavo - , de primos - entre eles, Ruben A. -, de tios, de avós, rodeada de um parque enorme, tão grande que se podia caçar. O pai de Sophia, João Henrique, como todos os filhos primogénitos da família Andresen, caçava. As crianças andavam de bicicleta e aprendiam pássaros, árvores e flores. O nome Andresen vem do bisavô Jan Henrik, dinamarquês chegado ao Porto no século passado para bem se suceder em negócios de navegações e vinhos. Mas foi com o avô Thomaz, do culto e aristocrático lado Mello Breyner, que Sophia entrou na poesia, antes ainda de saber ler. Dizer de cor poemas de Camões ou de Antero era tão natural como passear num bosque, ou tomar banho no mar. A isto, Sophia chamou uma "relação vital" com a poesia. O mar era nas férias e as férias grandes eram a Granja, a praia ao lado de Espinho onde os Mello Breyner Andresen alugavam uma grande casa branca todos os anos. Abria-se a porta da sala e era a areia. É dos dias luminosos na praia que vem essa "coisa mais antiga" de que Sophia se lembra: "uma grande maçã vermelha" pousada em cima da mesa num quarto aberto para o mar. Uma felicidade "nua e inteira" invocada num belíssimo texto que leu em 1964, na entrega do Prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores a "Livro Sexto". Aos doze anos já escrevia mais do que lia. Quando a mãe, Maria Amélia, grande leitora, a repreendia por não ler mais, Sophia observava: "Sou escritora, não leitora." Porque não há tempo para tudo e é preciso estar livre para olhar, para saber. Sophia sempre o soube e de acordo com isso vive, diante desse real de mistério e maravilha que toda a poesia - acredita ela - procura revelar. Entre um Verão e outro Verão estudava no Colégio do Sagrado Coração de Maria, no Porto, de que gostava "imensíssimo" e onde esteve entre os sete e os 17 anos, até ir para a Faculdade de Letras de Lisboa estudar Filologia Clássica. Desistiu nos primeiros anos e voltou para o Porto. Foi ainda no Porto, em 1944, que publicou o seu livro de estreia, "Poesia", numa edição de 300 exemplares paga por seu pai. O volume compunha-se de uma selecção dos muitos poemas que Sophia concluíra entre os 16 e os 23 anos, a altura da vida em que escreveu mais (segundo contou em 1991 numa longa e magnífica entrevista a José Carlos Vasconcelos, para o "JL"). Mas a primeira vez que apareceram publicados poemas de Sophia foi, pela mão de Luiz Forjaz Trigueiros, em 1940, na primeira série dos "Cadernos de Poesia", revista fundada por Ruy Cinatti, Tomaz Kim e José Blanc de Portugal Como Jorge de Sena - que Sophia conheceu numa noite de ensaio no São Carlos e que, antes da partida para o Brasil, ia almoçar a casa dela duas vezes por semana, pretexto para se porem os dois a dizer poesia... - Ruy Cinatti foi um dos grandes amigos de Sophia. Já casada com Francisco Sousa Tavares e a viver na casa da Travessa das Mónicas, a poeta recorda - num texto belíssimo - como uma madrugada, depois de um espectáculo, ao chegarem a casa encontram Cinatti, sentado no chão com uma arca aberta, rodeado das cinco crianças - os filhos de Sophia: Isabel, Maria, Miguel, Sofia e Xavier -, a desdobrar histórias e máscaras e tecidos de Timor. Num dos regressos do poeta-antropólogo. Era assim a casa das Mónicas nesse tempo antes da revolução: poetas, pintores, figuras da oposição, entravam às horas mais bizarras, recitavam-se poemas, conversava-se madrugada fora, contra as horas obscuras da ditadura. E no centro de tudo, Sophia, a que esperava "o dia inteiro e limpo", que havia de vir. E veio. E no primeiro 1º de Maio que os portugueses puderam celebrar juntos como nunca em liberdade, Sophia disse: "A poesia está na rua". Sophia, que em 1956 publicara "Mar Novo" como uma resposta poética contra o afastamento do projecto "Mar Novo" do seu irmão arquitecto João Andresen, que em 1958 apoiara Humberto Delgado, que participara na redacção de vários libelos contra o regime, estava entre os que não tinham medo. Porque era assim - explicou ela uma vez - que, então, as pessoas se dividiam: os que tinham medo e os que não tinham. Além da poesia, deu-nos "O Cavaleiro da Dinamarca" (e todas as outras histórias que lemos em pequenos), contos, traduções magníficas de Dante ou Shakespeare. E essa forma absoluta de estar diante do mundo à espera das coisas belas. Sem medo. |
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Entrevista
Maria Maia entrevista Sophia de Mello Breyner Andresen
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Outras páginas Web http://www.editorial-caminho.pt/autores/ a_sophia_de_mello_breyner_andresen.html http://www.liv-arcoiris.pt/bienal98/Bibliografia/paginas/andresen.html http://portugal-info.net/people/writers.htm http://www.ipn.pt/opsis/litera/ http://viriato.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/zlista.html http://www.secrel.com.br/jpoesia/cguirado.html
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