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Nota
biográfica
Testemunho |
Rosa
Mota, a «nossa Rosinha», é provavelmente a figura mais popular do
desporto português a seguir a Eusébio. Simples,
afável e trabalhadora, soube merecer
as medalhas, as honrarias e o afecto popular que conquistou.
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Medalha Olímpica de Los Angeles em 1984
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Vencedora do Campeonato da Europa de Estugarda em 1986
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Vencedora do Campeonato da Europa - Split em 1990
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Rosa
Mota nasceu no Porto, na zona antiga da chamada
Foz Velha.
Começou
por participar em pequenas corridas de corta-mato no liceu, onde
rapidamente demonstrou ter uma capacidade excepcional.
Em
1980 conheceu Pedro Pedrosa, que viria a ser o seu treinador pessoal e
confidente ao longo da sua carreira. A Maratona do Campeonato Europeu de
1982 teve lugar em Atenas - Grécia; foi a primeira Maratona de um
campeonato feminino, e não por coincidência, a primeira maratona de Rosa
Mota. Não sendo uma das favoritas para a vitória, Rosa Mota facilmente
se distanciou de Ingrid Kristiansen e de outras maratonistas de renome
internacional, e venceu a sua primeira corrida de longo curso, um feito
espantoso.
E
este representa bem o resto da sua carreira, onde Rosa Mota sempre
conseguiu os melhores resultados nas maiores maratonas. Conseguiu a
medalha de bronze na primeira maratona feminina olímpica, em Los Angeles.
O seu recorde pessoal foi conseguido, em 1985, na Maratona de Chicago, com
2:23:29, tendo ficado em 3º lugar.
Campeã
Europeia em 1986, e Campeã Mundial da especialidade nos Campeonatos
Mundiais de Roma em 1987, completa o seu palmares ao ser proclamada
Campeã Olímpica, com a medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Seoul em
1988, onde, a dois quilómetros do final, começou o seu ataque ganhando
com um avanço de 13 segundos sobre a segunda classificada Lisa Martin.
Abandonou
a sua carreira de competição no início dos anos 90, mas continua a
treinar todos os dias.
Verdadeira embaixadora do desporto, ganhou em 1998 o prémio Abebe Bikila
por contribuição para o desenvolvimento da prática da corrida de longo
curso. O trofeu foi entregue no final da Corrida Internacional pela
Amizade, patrocinada pelas Nações Unidas, e que decorreu na manhã
anterior à maratona de Nova York.
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O que eu gosto na Rosa Mota
é aquilo que a torna tão parecida com o Porto 2001: uma fundista por
excelência, rigorosa nas contas que faz à vida, humilde e trabalhadora,
que sabe merecer as medalhas e honrarias que conquistou ou lhe outorgaram.
Como a Rosinha, como é carinhosamente tratada pelos milhares de jovens e
menos jovens com quem corre diariamente pelas ruas e parques da cidade,
também o Porto 2001, agora que o tiro de partida vai soar, deve merecer o
apoio máximo dos portugueses. A exemplo da EXPO 98, também a Capital
Europeia da Cultura tem que ser encarada como um evento de importância
nacional e transcendência internacional, capaz de mobilizar o aplauso e a
admiração que Rosa Mota granjeou ao longo de uma carreira ímpar no
atletismo mundial. Com a certeza que as marcas do Porto 2001 não se
esgotam neste ano, como não se esgotou a veia vitoriosa da nossa campeã
depois de ter sido a primeira portuguesa a fazer subir a bandeira nacional
ao mastro mais alto de um Estádio Olímpico nos Jogos de Seul em 1988.
"Dedico esta vitória a quantos nela participaram e me ajudaram. Aos
outros que só guerrearam por favor, não se aproveitem, não se metam
nela, pois não têm nada com isso". Não sei se a professora Teresa
Lago gostará de fazer suas estas palavras de Rosa Mota depois da sua vitória
na Maratona de Seul, mas estamos todos à espera que o sucesso do Porto
2001 faça rejubilar e encha de orgulho todos os portugueses, com a mesma
emoção que sentiram os nossos compatriotas de Boston nos três anos
consecutivos em que viram a nossa campeã lá vencer a Maratona.
A maior maratonista de todos os tempos nasceu na Foz do Douro em 58 e
estreou-se na vida a sentir e a vencer as dificuldades com o temperamento
e a fibra que a tornaram campeã olímpica e europeia de maratona. Quem
passou a vida a correr sabe muito bem o que não pode passar pela vida a
correr e por isso foi das primeiras ilustres portuenses a dar a cara pelas
obras que o Porto 2001 há-de inaugurar um dia.
"Para ser sincera, mesmo sincera, o que eu faço melhor são os
iogurtes". É com esta humildade, característica das gentes a quem
D. Pedro, o romântico rei liberal, doou o coração que a Igreja da Lapa
guarda com orgulho, que todos os dias a podemos ver, uma hora de manhã e
quarenta e cinco minutos à tardinha, a fazer quilómetros da Cantareira
até à Foz.
No próximo sábado, quando culminar a festa da inauguração do Porto
2001, durante um concerto no pavilhão que usa o nome da atleta, será bom
poder ver milhares de portuenses unidos à volta desta bandeira, com o espírito
que sempre levou longe Rosa Mota. Fazendo a festa ao som de boa música
que poderia ter sido, por graça, a do conjunto rock britânico que se
baptizou com o nome dela. Os "rousa mota", como eles dizem.
Manuel Serrão, in revista Lux
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