Mily Possoz, 1888-1967 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Biografia | Cronologia | Obra  | Prémios

 

 

Menina da Boina Verde 
1930, óleo sobre tela 64 x 53 cm 
Centro de Arte Moderna / Fund. Gulbenkian,  Lisboa, Portugal 

Bibliografia
 

 

 

 

 

Contribuição oferecida por
Emília Ferreira

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Biografia 

Filha de pais belgas, Mily Possoz nasce em Lisboa a 4 de Dezembro de 1888.

Após estudos de pintura com Emília Santos Braga (1867-1949) e com o aguarelista espanhol Enrique Casanova (1850-1913), em 1905 parte para Paris, onde estuda na Académie de La Grande Chaumière. Finda esta primeira estada parisiense, viaja pela França, Bélgica, Alemanha e Holanda, desenvolvendo estudos de gravura, nomeadamente em Bruxelas e Düsseldorf. De regresso a Portugal, em 1909 começa a integrar as exposições colectivas dos modernistas, sendo também das poucas artistas da sua geração a organizar exposições individuais do seu trabalho.

Nos anos 20 inicia colaboração com a imprensa, nomeadamente com a ABC e a Athena, trabalhando como ilustradora, actividade que estende aos livros. O reconhecimento dos pares não se faz tardar. E, em 1924, no número 2 da revista Athena, Almada Negreiros publica um desenho com uma expressiva dedicatória: “Para Mily Possoz, o melhor desenhador portuguez do meu tempo.” No número seguinte da mesma revista, um breve ensaio sobre as suas xilogravuras salienta a importância e o carácter de excepção da sua criação como gravadora.

A gravura será, aliás, a via que mais explorará como artista, sobretudo durante os anos em que se encontra fora de Portugal. Com efeito, na segunda estada parisiense, iniciada nos anos vinte, tornar-se-á membro activo da sociedade Jeune Gravure Contemporaine, criada nessa cidade em 1929. Amiga do artista japonês Tsuguharu Foujita (1886-1968), com ele estabelecerá alguns jogos plásticos, evidentes em algumas das suas litogravuras e pontas-secas. Influenciada portanto pela estética depurada da gravura japonesa, mas não escamoteando outras correntes a que vai também claramente beber, como o surrealismo, a obra de Mily Possoz sintetiza várias gramáticas que ela serve com um gesto poderoso, seguro, certeiro.

Em 1937, a sua participação na exposição de Gravura Francesa, realizada em Cleveland, nos Estados Unidos, garante-lhe a medalha de ouro e a aquisição de obras suas para o Museu de Cleveland. Nesse mesmo ano regressa a Portugal.

Em 1940, encontramo-la entre o vasto leque de artistas modernistas convidados para a decoração dos pavilhões da Exposição do Mundo Português. Ainda nesse ano, com a criação pelo SNI dos Bailados Verde-Gaio, Bailados Portugueses, Mily colabora como figurinista.

No decorrer dos 40, muda-se para Sintra, onde passa a viver, dedicando-se então sobretudo à pintura a óleo, elegendo essa paisagem como motivo preferencial, e à aguarela que exercita sobretudo no retrato. Será também nessas paragens que, em 1957, conhecerá o coleccionador de arte Machaz, que lhe encomenda vários quadros para a decoração do Hotel Tivoli. Em 1956, colabora também com a Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses — Gravura.

Mantendo embora uma atitude de grande dinamismo até bastante tarde, Mily observou um rigoroso apego à sua gramática, desenvolvida sobretudo nos anos da segunda estada parisiense, tendo depois atendido às exigências do escasso mercado de arte português que de certo modo a condenou a uma repetição da linguagem e motivos, e que cedo a apagaria da memória e da historiografia, limitando as breves linhas da sua biografia à redutora descrição como artista decorativa, onírica e feérica, e remetendo para o descaso e o consequente desconhecimento uma obra pictórica de influências fauves, uma excelente mão de desenhadora e a internacionalmente cotada gravadora de excelentes pontas-secas. Morre a 17 de Junho de 1967, em casa da irmã, em Lisboa, vítima de crise cardíaca.

 

Contribuição oferecida por Emília Ferreira

 

 
   

 

 

   
   

Breve Cronologia

 

1888, 4 de Dezembro — Nasce em  Lisboa, filha de pais belgas, Émilie Possoz (no seu passaporte português, o nome que consta é Emilia).

1905 — Após estudos de pintura com Emilia Santos Braga e com o aguarelista espanhol Enrique Casanova, parte para Paris, onde estuda na Académie de La Grande Chaumière.

Viagens por França, Bélgica, Alemanha e Holanda. Regresso a Portugal.

1909 — inicia participação em exposições colectivas.

1919-1925 — noivado com Eduardo Viana.

Anos 20 — inicia colaboração com a imprensa, como ilustradora.

1927 — Parte para Paris.

1929 — Integra a sociedade Jeune Gravure Contemporaine.

1937 — A sua participação na exposição de Gravura Francesa, realizada em Cleveland, nos Estados Unidos, garante-lhe a medalha de ouro e a aquisição de obras suas para o Museu de Cleveland.

1940 — com a criação pelo SNI dos Bailados Verde-Gaio, Bailados Portugueses, Mily integra o leque de artistas que trabalham como cenógrafos e figurinistas.

         Participa, como artista convidada, na Exposição do Mundo Português.

Anos 40 — muda-se para Sintra, onde passa a viver.

1957 — O coleccionador de arte Machaz encomenda a Mily vários quadros para a decoração do Hotel Tivoli.

1967, 17 de Junho — Morre em casa da irmã, em Lisboa, vítima de crise cardíaca.

 

 

 

 
   

 

 

   
   

 

OBRA

Ilustração | Exposições | Colecções

 

 

 

   
   

 

 

   
 

Livros ilustrados por Mily Possoz
(por ordem de publicação) 

 

PINTO, Manuel de Sousa — O jardim das mestras. Capa e ilustrações [gravura] de Mily Possoz. Paris-Lisboa: Aillaud e Bertrand, 1914.

CORTÊS, Alfredo —Zilda: peça em 4 actos. [il. Alice Rey Colaço, Mily Possoz, Jorge Barradas]. Porto: Companhia Port. Editora, 1921.

CASTRO OSÓRIO, Ana de — Viagens Aventurosas de Felicio e Felizarda ao Polo Norte. Lisboa: Lusitana Editora, 1922.

BENSAUDE, Jane — As Desgraças de uma Familia Persa. Lisboa: Lusitana Editora, 1922.

BENSAUDE, Jane — As Bonecas. Trad Agostinho de Campos. Lisboa: Lusitana Editora, 1923.

PINHO, M. Benedicta M. de Albuquerque — As Rosas do Menino Jesus. Lisboa: Lusitana Editora, 1923.

AZEVEDO, Maria Paula de — Theatro para Creanças. Impr. Libano da Silveira, 1923.

LARBAUD, Valery — Caderno. Paris: Au Sans Pareil, 1927.

MÉRIMÉE, Prosper — La Carosse du Saint Sacrement. Paris: Au Sans Pareil, 1928.

PINTO, Fernão Mendes — A Ilha Maravilhosa de Calempuli. In Peregrinações. Editora Ática, 1944.

SAGAN, Françoise — Bom Dia Tristeza. Lisboa: Editora Ulissea, 1954.

PESSANHA, Sebastião — Mascarados e máscaras populares de Trás-os-Montes. Desenhos de Mily Possoz. Lisboa: Liv. Ferin [depos.], 1960.

 

 

 

 
   

 

 

 

 

 

 
   

Exposições

1913 — Lisboa, Salão da “Illustração Portugueza”. [Com Alice Rey Colaço]

1914 — Lisboa, II Exposição dos Humoristas.                           

[1916 — Lisboa: Mily, com outros modernistas, concorre ao Salão da SNBA.]

[1917 — concorre à exposição da Revista “Alma Nova”]

1919 — Porto, II Salão dos Modernistas

         s.n., Mily Possoz. Alice Rey Colaço. Pintura, Ilustração e Desenho. [40 obras de Mily Possoz, 43 de Alice Rey Colaço]

1920 — Lisboa, III Salão dos Humoristas

1924 — Lisboa, Salão da “Illustração Portugueza”. Exposição Mily Possoz. [Patentes 34 obras.]

1930 — Lisboa, I Salão dos Independentes.

1937 — Paris, Exposição Internacional.

1953 — S. Paulo, II Bienal

1955 — Exposição colectiva de pintura, organizada pelos estudantes da Faculdade de Ciências.

1958 — Bruxelas, Exposição Internacional

1960 — Lisboa, Galeria Diário de Notícias, Mily Possoz.

1969 — Lisboa, Galeria Gravura, Retrospectiva de Gravura de Mily Possoz.

         Lisboa, Galeria Divulgação, Obras Inéditas de Mily Possoz

1986 — Lisboa, Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian, Mily Possoz.

2005 — Lisboa, Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian, Mily Possoz. Gravura.

 

 

 

Colecções em que está representada

Câmara Municipal de Almada

Câmara Municipal de Sintra

Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

 

 

 

 

 

 

Senhoras num Jardim 
s/d, óleo sobre tela Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal. 

Colecções particulares (Portugal e estrangeiro)

Museu de Cleveland

Museu do Caramulo

Museu do Chiado

 

 

 

 

 

 

Paris-Quai Voltaire 
1930-37, óleo sobre tela 60 x 50cm 
Museu do Chiado, Lisboa, Portugal 

Museu Nacional do Teatro

 

 

 

 
   

 

 

   
   

Prémios

1937 — Exposição Internacional de Paris, Medalha de Ouro do Júri Internacional de Gravura.

Prémio do SNI:

Prémio Souza-Cardoso, 1944

Prémio de Desenho José Tagarro, 1949

Prémio de Pintura Columbano, 1951

Prémio Luciano Freire [datas não apuradas]

Prémio da CMAlmada, em Exposição de Artes Plásticas [datas não apuradas]

 

 

 
   

 

   
   

 

   
   

 

   
   

 

 

 

   
   

Bibliografia Seleccionada

 

— AA. — O Grafismo e Ilustração nos anos 20.  Lisboa: CAMJAP, 1986.

— ARRUDA, Luísa — “Decoração e Desenho. Tradição e modernidade”, in História da Arte Portuguesa. Lisboa: Círculo de Leitores, 1995, volume III.

Artistas modernos portugueses na II bienal do museu de arte moderna de S. Paulo. Bienal do Museu de Arte Moderna, 2, São Paulo, 1953. [organizado pelo Secretariado Nacional da Informação]. Lisboa: S.N.I., 1953.

— CARVALHO, José Faria deObras inéditas de Mily Possoz. Lisboa: Galeria Divulgação, 1969.

Exposição Mily Possoz. [Obra publicada por ocasião da exposição patente no Salão da ilustração portuguesa, Lisboa, Maio 1924] Lisboa: [s. n.], 1924

— FRANÇA, José-Augusto — A Arte em Portugal no Século XX (1911-1961). Lisboa: Bertrand Editora, s.d., 3ª edição.

Mily Possoz, Alice Rey Colaço: pintura, ilustração e desenho. [S. l. : s. d.] 1919.

Mily Possoz. [Obra publicada por ocasião da exposição organizada e patente na Galeria Diário de Notícias, Lisboa, de 2 a 16 de Dezembro de 1960] Lisboa: Galeria "Diário de Notícias", 1960.

Mily Possoz. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Centro de Arte Moderna, 1986.

— SANTOS, Armando Vieira — Retrospectiva da gravura da Mily Possoz. Lisboa: Galeria Gravura, 1969.

— SILVA, Raquel Henriques da — “Mily Possoz, o ritmo da paisagem”, in Panorama da Arte Portuguesa Século XX, p. 114.

— SILVA, Raquel Henriques da — “Sinais de ruptura: «livres» e humoristas”, in História da Arte Portuguesa. Lisboa: Círculo de Leitores, 1995, volume III.

 

 

 

 

 
   

 

 

 

 

 

 

  Outras páginas WEB

http://www.ipv.pt/millenium/15_pers4.htm

http://www.ci.uc.pt/artes/6spp/frames.html