|
|
Sobre
a autora
Maria Gabriela Llansol (1931) é um caso ímpar na ficção contemporânea, de
jorrante, inesperada e original criatividade.
A
sua forte personalidade e o seu estilo muito próprio
afirmaram-se desde 1957, com as narrativas de Os Pregos na Erva,
consolidando-se com O Livro das Comunidades, 1978, e com todas as suas obras
posteriores, de que salientamos:
A Restante
Vida, 1978, Um Beijo Dado mais Tarde, 1990, e Lisboaleipzig, 1994 e 1995.
Aliando a subjectividade enunciativa
a um forte pendor mítico de implicação lírica, que funda numa visão da vida e do
mundo de tipo religioso herético, sensualista e naturalista, a sua ficção
caracteriza-se por uma hibridez de registos e de convocação, temporal e espacial
de entidades, que no entanto assume uma coesão que lhe é dada por uma marca
discursiva persistente e inconfundível.

|
|
|
Texto
online
O texto é a única forma
de identificar o sexo e a humanidade de alguém porque, ó poeta
estranho, o sexo de alguém, é a sua narrativa. A sua, ou a que o texto
conta, no seu lugar. Assim o sexo será como for o lugar do texto.
Quando se deseja alguém,
como tu desejas Infausta, e ela deseja Johann, é o seu lugar cénico
que se deseja,
os gestos do texto que descreve no espaço
e chamar-lhe
precioso companheiro;
de mim, direi que fui uma vez enviado,
trouxeste a frase que nunca antes leras,
o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com ela escrita.
Lisboaleipzig
2

|