Luísa Costa

Gomes

 

 

 

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Foto in xis, nº1, Público (edição de Sábado)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Biografia

 

Nasceu em Lisboa, em 1954, Licenciou-se em Filosofia, e foi professora no ensino secundário.

Iniciou-se como escritora com a publicação de 13 Contos de Sobressalto, em 1982, e daí em diante continuou a publicar contos, romances e teatro.

É também cronista e tradutora, bem como responsável pela edição da revista “Ficções”, dedicada à divulgação do conto, quer de autores estrangeiros, como de portugueses.

Destaca-se a realização de trabalhos em parceria, como é o caso do romance DEFUNTO 
ELEGANTE
, com Abel Barros Baptista, ou ainda a escrita do libreto para uma obra de Bob Wilson, com música de Phillip Glass, para a Expo 98, em Lisboa.

O seu nome encontra-se também muitas vezes relacionado com tomadas de posição pública na defesa dos princípios básicos da democracia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Obra

Ficção:

              13 Contos de Sobressalto, contos, Editora Bertrand, Lisboa, 1982

              Arnheim & Désirée, narrativa, Difel, 1983

              O Gémeo Diferente, contos, Difel, 1984

              O Pequeno Mundo, romance, Quetzal, 1988

              Vida de Ramón, romance, Dom Quixote, 1994

               Olhos Verdes, romance, Dom Quixote, 1994

               O Defunto Elegante, com Abel Barros Baptista, romance, Relógio d’Água, 1996

               Contos Outra Vez, contos, Cotovia, 1997

 

Teatro:   

Nunca Nada de Ninguém, Cotovia, 1991

                Ubardo, seguido de A minha Austrália, Dom Quixote, 1993

                Clamor, Cotovia, 1994

                Duas Comédias, Relógio d’Água, 1996

                O Céu de Sacadura, Cotovia, 1998

 

Crónicas:

 [ A completar oportunamente ]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Citações sobre a obra

Luísa Costa Gomes é uma das poucas escritoras que constam  da lista deste site e que não se limita a ser do século XX. Ela é, de certeza, da transição do século XX para o XXI. Vejam só o que ela ainda vai produzir!

ângela marques

Junho, 2001

 

Difícil explicar o sentimento de estranheza que se apodera do leitor ao avançar neste livro (...) o leitor apercebe-se, progressivamnete rendido, que há nesta sequência de textos (de ambição e valor desiguais) uma experiência de linguagem inovadora e desconcertante (...) Luísa Costa Gomes desvia linguagem como quem desvia menores ou aviões. Entre a perversidade e o jogo, a aventura e o pudor.

Eduardo Prado Coelho (Sobre 13 Contos do Sobressalto)
Expresso 27/ 2/ 82

A originalidade das narrativas de Luísa Costa Gomes incomoda. Tal como nessa oficina se foge aos estereótipos das personagens, a autora escapa aos parentescos literários. (...) O que mais surpreende nas páginas da jovem autora (...) é o modo de escrever. Tranquilo, com neutralidade activa, mas neutralidade, o que não exclui um saber linguístico raro e engenhosamente apaixonado. Mas além deste saber da escrita, opcional e tecnicamente perfeita, há outro saber, o de contar, saber e sabor (...).

Jorge Listopad
JL – Jornal de Letras 24/ 5/ 82

Luísa Costa Gomes insere-se no grupo de jovens escritores que escreve boas histórias em bom português. 

Vasco Graça Moura

O Pequeno Mundo começa por ser digno de admiração. Essa admiração com que completamos um objecto perfeito e acabado.
Por tudo aquilo que à inerte perfeição se acrescenta, por todo o resto inominável, este é um notável romance capaz de suscitar a mais entusiasmada leitura. 

António Guerreiro
Expresso

Não é um dos menores méritos deste romance o modo como a ficção ganha consistência através do tom do narrador, irónico e subtil, mas crítico e firme quando, sempre que procura as razões e as motivações de Ramón, demarca o suposto do plausível, o provável do fantasioso sem atulhar o leitor de informações históricas, antes o envolvendo num modelo de argumentação ficcional que é uma das dimensões do divertimento que contribui para o carácter "romanceado" da biografia.

Abel Barros Baptista
Público

Um dos livros mais interessantes que pude ler este ano foi Olhos Verdes, de Luísa Costa Gomes. Pertence a este veio de ficção pós-moderna que se difundiu bastante entre nós (...) mas que as circunstâncias literárias do nosso meio não têm permitido aceitar facilmente enquanto etiqueta e muito menos enquanto sensibilidade. 

Maria Alzira Seixo
JL – Jornal de Letras, 4/ 1/ 95

A totalidade deste romance da autora de O Pequeno Mundo constitui um texto de profundíssima ironia sobre a "vida moderna" e sobre a valorização do "plano estético" da modernidade. Ou seja: verifica, por nós (...) como a sobrevalorização desse "plano estético" conduz a formas insuspeitadas de totalitarismo e de fascismo (...). Luísa Costa Gomes escreveu um dos mais inteligentes romances dos últimos tempos (...) Excelente. 

Ler (sobre Olhos Verdes) 8/94

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prémios

Prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus, 1988 (O Pequeno Mundo)

Prémio Eça de Queiroz do Município de Lisboa, 1993 (Ubardo / A Minha Austrália)

Prémio Máxima de Literatura, 1994 (Olhos Verdes)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Textos

online

 

 

 

Os interesses dele eram as empresas, os utilitários, a carpintaria artística e o espaço. Futebol via de vez em quando. Tinha teorias sobre as coisas e ambicionava partilhá-las com outros.

Explicava-se com clareza, embora não se pudesse considerar que fizesse sempre todo o sentido. O que o intrigava sobremaneira era o espaço, o espaço que permeava tudo, o ar vazio entre a secretária e a cadeira, entre o rosto e a mão, entre o chão e o tecto. Disse que tinha a certeza de que todos os espaços vazios tinham um significado profundo.

Luísa Costa Gomes, Olhos Verdes