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Excertos
do Seminário "Luas e Marés", sobre gravidez e maternidade na
adolescência que decorreu na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa Intervenientes: Fátima Palma, médica da consulta de adolescentes; Evert Ketting, sociólogo |
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Gravidez
na Adolescência
Desde
tempos imemoriais que a sociedade considera a gravidez como um problema no
feminino, um problema da mulher. A portadora da capacidade de gestação
de uma nova vida é também a portadora da aprovação ou reprovação
social de que a sua circunstância particular e individual se revista. A
própria terminologia escolhida para referir o facto é indiciadora da
aprovação ou reprovação que vai junto. Se “vai ter um menino”, é
alvo de cumprimentos e regozijo – tudo se passa bem – a sociedade
reconhece ( e agradece). Se “está grávida”, faz provavelmente parte
de uma estatística, de um programa, de um estudo, está de visita ao médico,
ou é alvo da cobiça do mercado de oferta ao consumo. Se
“está de barriga”, está claramente em maus lençóis. Quer esteja a
ser objecto de chiste, de censura, de admoestação ou de pura
coscuvilhice e de diz-que-diz, está fora do estado de graça da (re)produção
com aval burguês. Nestes
tempos de “sociedade de informação” em que, supostamente, os nossos
jovens adultos estão preparados com uma educação sexual que, na
verdade, não se sabe bem de onde venha, para além das deduções e inferências
retiradas das máquinas publicitárias e dos mass media, com especial
relevo para telenovelas, canais e programas mais ou menos eróticos,
publicitação mais ou menos explícita de linhas eróticas e ausência ou
demissão frequentes de referentes próximos e valores familiares aberta e
claramente dialogados. Responsabilizar
os adolescentes por um estilo de vida demasiado “solto” Responsabilizar
Os Homens
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