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Biografia
Nasceu em 1938, em Lisboa. Poetisa, dramaturga, ficcionista e ensaísta.
Viveu numa quinta em Carcavelos até aos 18 anos, tendo então mudado para Lisboa, de onde saiu em 1992 para voltar a viver numa quinta.
Foi aluna do Colégio Inglês de Carcavelos - St. Julian's School - durante dez anos e frequentou o curso de Filologia Germânica, até ao 3º ano,
na Universidade de Lisboa. Exerceu crítica de teatro, acompanhou o trabalho do Grupo de Teatro da Faculdade de Letras, estagiou em 1964
no Teatro Experimental do Porto, frequentou um seminário de Teatro de Adolfo Gutkin na Gulbenkian em 1970. Em 1974, foi um dos
fundadores do Grupo "Teatro Hoje", sendo a sua primeira encenadora com Marina Pineda, de Lorca.
Tem feito pesquisa histórica e literária sobre o séc.XVI em Portugal.
Tem feito traduções do Alemão, do Inglês e do Francês, de autores como John Updike, Bertold Brecht, Antonin Artaud, Novalis, Anton Tchekov
e do Cântico Maior, atribuido a Salomão.
Revelada, como Gastão Cruz, no movimento Poesia 61, que revolucionou a linguagem poética portuguesa dos anos 60, Fiama veio a
demonstrar ser uma das principais vozes poéticas da sua geração. A sua obra caracteriza-se por uma grande densidade da palavra, o uso de
uma poesia discursiva, por vezes fragmentária, de grande rigor e depuramento formal, desde Barcas Novas (1967), seu segundo livro, sempre
entrelaçando no discurso a metáfora e a imagem. Com a publicação de Obra Breve (1991), Fiama procede a uma reorganização de toda a
sua obra poética até à data, incluindo inéditos, de acordo com uma ideia de poesia como processo vivo.
Como dramaturga, é autora de várias peças, algumas das quais já representadas em Lisboa, Rio de Janeiro e Nancy.
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Obra
Poesia
Morfismos in Poesia 61. Faro : ed. de autor, 1961.
Barcas Novas. Lisboa: Ulisseia, 1966.
(Este) Rosto. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1969.
O Texto de Joan Zorro. Porto: Inova, 1974.
Novas Visões do Passado. Lisboa: Assírio e Alvim, 1975
Homenagemàliteratura. Porto: Limiar, 1976.
Melómana. Porto: Inova, 1978.
Área Branca. Lisboa: Arcádia, 1979.
Âmago I. Porto: Limiar, 1975.
F de Fiama (Antologia Pessoal). Lisboa: Teorema, 1986.
Três Rostos. Lisboa: Assírio e Alvim, 1989.
Obra Breve (reunião dos livros anteriores e inéditos). Lisboa: Teorema, 1991.
Cantos do Canto. Lisboa: Relógio d'Água, 1995.
Epístolas e Memorandos. Lisboa: Relógio d'Água, 1996.
Teatro
Os Chapéus de Chuva. Lisboa: Minotauro, 1960.
O Testamento. Lisboa: Portugália, 1962.
Peças em 1 Acto. Lisboa: Portugália, 1964.
Poe ou o Corvo. Lisboa: & Etc., 1979.
Quem Move as Árvores. Lisboa: Arcádia, 1979.
Teatro-Teatro. Lisboa: Fenda, 1990.
Prosa
O Retratado. Lisboa: & Etc., 1976.
Falar Sobre o Falado. Porto: Afrontamento, 1989.
Movimento Perpétuo. Lisboa: Teorema, 1990.
Estudos e Edições
O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos. Lisboa: Teorema, 1978.
Sílvia de Lisardo (edição literária). Lisboa: Assírio e Alvim, 1989.
Traduções
Alemão
está representada nas seguintes antologias:
Jahresring 82-83. Estugarda: 1982.
Portugiesische Lyrik des 20 Jahrunderts. Trad. Curt Meyer-Clason. Munique: Deutscher Taschenbuch Verlag, 1993.
Sammstag um Acht. Trad. Elfriede Engelmeyer. Berlim: 1997.
Castelhano
está representada nas seguintes antologias:
Antologia de Poesía Portuguesa. Trad. Angel Crespo. 1976.
Los Nombres del Mar. Trad. Angel Campos Pámpano, Badajoz: Edit. Regional de Extremadura, 1985.
Antologia de Poesia Portuguesa. Org. Fernando Pinto do Amaral. Cidade do México (a sair)
tem colaboração dispersa nas seguintes publicações literárias:
Espacio Escrito; Serta; Boca Bilingue (Embaixada de Espanha em Lisboa); Álora; Periódico de Poesía (Cidade do México); Hora de
Poesía.
Francês
está representada nas seguintes antologias:
Poésie portugaise 1960-1990 (Anthologie). Org. Luís Miguel Nava. Trad. Marie Claire Vromans. Lovaina: Leuvense Schrijversaktie,
1991.
Vingt et un poètes pour un vingtième siècle portugais. Org. Luís Miguel Queirós. Bordéus: L'Escampette, 1994.
Une anthologie de circonstance. Trad. Henry Delmy, Rémi Hourcade, etc. Paris: 1994.
Grande anthologie de la poesie portugaise. Trad. Robert Massart. Liège: (a sair).
Quelques poètes portugais. Trad. Robert Massart. Liège: ( a sair).
tem colaboração dispersa nas seguintes publicações literárias:
Action Poètique; Europa (Lovaina, 1991); Neu-Europa (Luxemburgo); Letters (Lovaina).
Inglês
está representada nas seguintes antologias:
Contemporary Portuguese Poetry. Org. Helder Macedo. Trad. Ruth Fainlight, Alan Silitoe, etc. Manchester: Carcanet Press,1988.
Poesia no Mundo. (Antologia Bilingue). Org. Maria Irene Ramalho. Porto: 1993.
Literary Olympians. (USA), 1997.
Anthology of Magazine Verse. (USA), 1997.
tem colaboração dispersa nas seguintes publicações literárias:
U.S.A - Seneca Review; Visions International; Prairie Schooner; Massachussets Review; Graham House Review; Connecticut Poetry
Review; Partisan Review; Salamander; Puerto del Sol (New Mexico).
Italiano
está representada nas seguintes antologias:
Poeti Portoghesi. Trad. Carlo Vittorio Cattaneo. 1996.
Gli Abracci Feriti. Trad. Adelina Aletti. Milão: Feltrinelli, 1980.
Servo-Croata
está representada na antologia:
(Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea). Trad. Ivan Strpka. Praga: M'art Print / Martin Stepánek (a sair em 1997).
Sueco
Smaken av Okeanerna. Trad. Marianne Sanders. Estocolmo: 1983.
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Sobre a
obra
Fiama sente a inextricável complexidade do mundo e a sua perplexidade perante ele é permanente, embora não passiva. Essa perplexidade não paralisa a investigação activa do real, antes parece estimulá-la e desenvolvê-la. Qualquer dos seus poemas é
um percurso acidentado e abrupto que gera na fragilidade irredutível de uma identidade perplexa mas insubmissa.
António Ramos Rosa
Letras & Letras, 21/ 10/ 92
Ao longo de mais de trinta anos, a poesia de Fiama Hasse Pais Brandão mais não fez do que aprofundar as relações entre a linguagem e o mundo, entre as palavras e a vida, entre as imagens linguísticas e as imagens reais. Se a poesia é um som e se a
obra de um poeta é o seu som, o seu sopro, então a poesia sopra através da vastidão de uma vida e arrasta nesse sopro a
imagem dos lugares por onde passou.
Gastão Cruz
Letras & Letras, 21/ 10/
92
De Fiama já se disse o essencial e o acessório, embora tudo fique por nomear perante a riqueza e singularidade do tesouro oculto nos seus versos (...) Profundamente inovadora, Fiama desencadeia uma riquíssima reflexão sobre a arte poética como percepção
afectiva do real. (...) Participante do movimento Poesia 61 - de que constitui destacada referência -, Fiama vem desde então
subscrevendo uma importante e subtil bibliografia de pendor camoniano que abrange também a novela, o teatro, o ensaio e a
tradução (...)
David Mestre
JL – Jornal de Letras, 20/ 11/ 96
Três Rostos, três livros num único volume: Âmago II - Nova Natureza, Poemas Revistos e Arómatas e Ecos. Em cada poema, em
cada verso, em cada palavra se reencontra a escrita inconfundível, a beleza tranquila e pungente de uma das maiores vozes da
literatura portuguesa de hoje.
Maria Lúcia Lepecki
Diário de Notícias, 4/ 2/ 90
Projectada entre um desejo de rigor e uma dispersão semântica inescapável; entre um conhecimento verificável e um pressentimento da iluminação devastadora; entre a solidez do monumento construído e a fragilidade material e temporal da
percepção do mundo, a Poesia de Fiama segue igual a si própria perseguindo infinitamente a figura geométrica total: ao infinito.
E. M. de Melo e Castro
O Diário, 28/ 10/ 89
(...) uma das chaves para ler esta poesia é a aceitação de que, na sua opacidade,.ela é de uma transparência absoluta: Porque tudo está nela, inclusivamente a explicitação dos princípios a partir dos quais se elabora. (...) O que resulta, então, é uma arte
poética das mais interessantes e acabadas da actual poesia portuguesa, que nos faz remontar, por vezes, à romântica no modo
como torna impraticável toda a diferença entre a "palavra pensante" e a palavra poética.
António Guerreiro
O Diário, 28/ 10/ 89
(…) Quanto mais nos adentramos no âmago da poesia de Fiama, mais distinto o som do universo clássico. Não se trata de um classicismo histórico, mas do veio perene da grande tradição oriental.
Mário Garcia
Brotéria, 1997
A feição cénica que a obra de Fiama Brandão apresenta pode ser vista pode ser vista por meio do que se denominaria teatro da voz. Nos seus textos, porque são muitas as citações, a escrita, como se em cena verbal aberta, exibe exemplarmente a intertextualidade. Em verso ou em prosa, quer pela pontuação contida, quer pelo ritmo expansivo, a palavra exprime-se na interlocução. Para o entendimento, de semelhante concepção da escrita, é preciso conjugar a análise da obra literária à de uma
certa prática cultural profundamente portuguesa que, sobretudo a partir de Orpheu, alcança a notoriedade.
Jorge Fernandes da Silveira
Biblos (Enciclopédia das Literaturas de Língua Portuguesa), 1996
Sobre a obra teatral:
São textos assumidamente literários mas irreprimivelmente teatrais. Buscam o específico teatral sem desmentir a poesia. Buscam
o poético enquanto se esforçam por falar do real.
Manuel João Gomes
Letras & Letras, 21/19/92
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