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Ana Hatherly
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Biografia
Obra
Poesia
online
Sobre
a obra
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Fotografia
de Graça
Sarsfield
in Vozes e Olhares no Feminino, Edições Afrontamento, Porto 2001
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Outras páginas
Web
http://www.ipn.pt/opsis/litera/hatherly.htm
http://www.liv-arcoiris.pt/bienal98/Bibliografia/paginas/a_hatherly.html
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A IDADE DA ESCRITA
Auto-Retrato
Parafraseando Sor Juana Inés de la Cruz e Sóror Violante do Céu
Procura desmentir los elogios que a un retrato de la Poetisa inscribió la verdad, que llama pasión
Este, que ves, engaño colorido,
que del arte ostentando tos primores
con falsos silogismos de colores
es cauteloso engaño del sentido;
Este, en quién la lisonja ha pretendido
excusar de los años los horrores,
y vencendo del tiempo los rigores
triunfo de la vejez y del olvido,
Es un a vano artificio del cuidado
es una flor al viento Delicada,
es un resguardo inútil para el hado;
es una necia diliqencia errada,
es un afán caduco y, bien mirado,
es cadáver es polvo, es sombra, es nada
Sor Juana Inés de la Cruz, séc. XVII
(Parafraseando Gôngora)
A uma caveira pintada em um painel que foi retrato
Este que vês de sombras colorido
E invejas deu na Primavera às flores,
Do pincel transformados os primores,
Desengano horroroso é do sentido.
Ídolo foi do engano pretendido,
A que cega ilusão votou louvores,
Estrago já do tempo, e seus rigores,
O que então foi, ao que é já reduzido.
Foi um vão artifício do cuidado,
Foi luz exposta ao combater do vento,
Emprego dos perigos mal guardado;
Foi nácar reduzido ao macilento
Oculto ali nos medos transformado,
Mortalha a gala, a casa monumento.
Sóror Violante do Céu, Orbe Celeste, 1742
(Parafraseando Sor Juana Inés de la Cruz)
Auto-retrato
Este que vês, de cores desprovido,
o meu retrato sem primores é
e dos falsos temores já despido
em sua luz oculta põe a fé.
Do oculto sentido dolorido,
este que vês, lúcido espelho é
e do passado o grito reduzido,
o estrago oculto pela mão da fé.
Oculto nele e nele convertido
do tempo ido excusa o cruel trato,
que o tempo em tudo apaga o sentido;
E do meu sonho transformado em acto,
do engano do mundo já despido,
este que vês, é o meu retrato.
A Idade da Escrita, Lisboa, Edições Tema, 1998
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Biografia
Poeta, romancista, ensaísta e tradutora, Ana Hatherly iniciou a carreira literária em 1958.
Tendo sido um dos principais elementos do grupo de Poesia Experimental nos anos 60 e 70, o seu trabalho está representado nas mais
importantes Antologias e Histórias da Literatura Contemporânea de Portugal, Brasil, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos,
Dinamarca, Suécia, Holanda, e República Checa.
É também autora de várias traduções para português de obras inglesas, francesas, italianas e espanholas.
Durante as últimas duas décadas, tem-se dedicado ao estudo da literatura portuguesa e espanhola do "Siglo d'Oro", tendo publicado vários
ensaios e comunicações sobre o tema em várias das mais conceituadas publicações literárias de Portugal e do estrangeiro.
Licenciada pela Universidade de Lisboa e Doutorada em Literaturas Hispânicas pela Universidade de Berkeley (U.S.A.), é actualmente
Professora Catedrática de Literatura Portuguesa na Universidade Nova de Lisboa e Presidente do Instituto de Estudos Portugueses da
mesma Universidade. É ainda membro da Direcção do PEN Club, de que já foi Presidente.
Referenciada, a nível poético, como um dos nomes mais importantes das vanguardas portuguesas da segunda metade do século, a sua
poesia reúne fortes tendências barroquizantes e visuais que a têm já levado a um apagamento de fronteiras entre expressão poética e
intervenção plástica. É esse o caso, por exemplo, de Mapas da Imaginação e da Memória (1973), bem como das várias exposições que
incluem desenho, pintura e colagem, realizadas em galerias e centros de exposições, como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste
Gulbenkian, Museu do Chiado e Fundação da Casa de Serralves, para além das participações na Bienal de Veneza e Bienal de S. Paulo
(Brasil).
fonte: Ministério da Cultura e Instituto Português do Livro e da Leitura |
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Obra
Poesia
Um Ritmo Perdido. Lisboa: 1958.
As Aparências. Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural, 1959.
A Dama e o Cavaleiro. Lisboa: Guimarães, 1960.
Sigma. Lisboa: 1965.
Anagramático. Lisboa: Moraes, 1970.
O Escritor. Lisboa: Moraes, 1975.
Poesia (1958-1978). Lisboa: Moraes, 1979.
O Cisne Intacto. Porto: Limiar, 1983.
A Cidade das Palavras. Lisboa: Quetzal, 1988.
Volúpsia. Lisboa: Quimera, 1994.
351 Tisanas. Lisboa: Quimera, 1997.
A Idade da Escrita (Lisboa, Edições Tema, 1998).
Variações (no prelo).
Ficção
O Mestre. Lisboa: Arcádia, 1963; 2ª ed., Moraes, 1976; 3ª ed,. Quimera, 1995.
Crónicas, Anacrónicas, Quase-Tisanas e outras Neo-Prosas. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1977.
Anacrusa. Lisboa: Edições Engrenagem, 1983.
Ensaio
O Espaço Crítico. Lisboa: Caminho, 1979.
PO.EX - Poesia Experimental Portuguesa (com E. M. de Mello e Castro). Lisboa: Moraes, 1981.
A Experiência do Prodígio - Bases Teóricas e Antologia de Textos-Visuais Portugueses dos séculos XVII e XVIII. Lisboa:
I.N.C.M., 1983.
Defesa e Condenação da Manice. Lisboa: Quimera, 1989.
Poemas em Língua de Preto dos séculos XVII e XVIII. Lisboa: Quimera, 1990.
Elogio da Pintura (com Luís Moura Sobral). Lisboa: Instituto Português do Património Cultural, 1991.
A Preciosa, de Sóror Maria do Céu. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1991.
Lampadário de Cristal, de Frei Jerónimo Baía. Lisboa: Editorial Comunicação, 1991.
O Desafio Venturoso, de António Barbosa Bacelar. Lisboa: Assírio & Alvim, 1991.
O Triunfo do Rosário, de Sóror Maria do Céu. Lisboa: Quimera, 1992.
A Casa das Musas. Lisboa: Estampa, 1995.
O Ladrão Cristalino. Lisboa: Edições Cosmos, 1997.
Traduções de Tisanas
Alemão
Elfriede Engelmeyer traduziu para alemão um número considerável de Tisanas, incluindo todas entre os números 223 e 351.
Castelhano
in Antologia de la poesia portuguesa contemporanea (org. Angel Crespo). Madrid: Ediciones Jucar, 1982. Trad. Pablo del Barco.
Francês
in Antologia da Poesia Surrealista e Postsurrealista. Lisboa: ICALP. Trad. Isabel Meyrelles.
Inglês
In Modern Poetry in Translation. 13/14. The Compton Press, 1972. Trad. Suzette Macedo.
In Contemporary Portuguese Poetry. (org. Helder de Macedo e E.M. de Melo e Castro). Manchester: Carcanet Press, 1978.Trad.
Jean Longland.
In Shanti. Vol. 3, nº 3 - Fall-Winter, 1976. Trad. Jean Longland.
In The Prose Poem, an International Anthology. (org. Michael Benedikt).Nova Iorque: Dell Publishing Co., 1976.
In Thaisa Frank e Dorothy Wall, Finding Your Writer's Voice. St. Martin's Press, 1994. Trad. Jean Longland.
Writing in reverse / Escrever do Avesso. Coimbra, 1997. Trad. Manuel Portela.
Italiano
77 Tisane. Verona: Colpo di Fulmine Editore, 1994.
in Gli Abbracci Feriti. (org. e trad. Adelina Aletti). Milão: Feltrinelli, 1980.
Neerlandês
In August Willemsen, De Taal is mij Landschap, nº16. Leuvense Schrijversaktie, 1979.
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Sobre a
obra
Tem uma produção tão vasta, tão variada, e ao mesmo tempo tão coerente e profunda, que é natural considerá-la SENHORA DE TODAS AS ANUNCIAÇÕES ESTÉTICAS! das mini-situações poéticas (ou mini-ficções) intituladas TISANAS, num jogo verbal com o seu nome (...) ora docemente, ora ultrapassando barreiras, ora procurando-as para as abater, ora precipitando-se em infindos raios de espuma. não é fácil ir tão longe na criação de espaços lúdicos para o "resíduo cultural" que é o "eu" dos nossos dias.
Alberto Pimenta
in A PHALA - Um século de poesia
Não é por acaso que, dos textos da autora no domínio da escrita criativa, são as Tisanas que mais têm beneficiado da atenção dos tradutores estrangeiros. Textos de difícil classificação, só aparentemente podem associar-se à leveze, à ligeireza, que a designação, inevitavelmente, evoca. Exigem, pelo contrário, do leitor, um subtil exercício da inteligência que, ao mesmo tempo,
requer a desaprendizagem das categorias lógicas habituais e a imersão em novas formas de apreensão da realidade que têm a
ver com a sabedoria veiculada, no Budismo Zen, pelo koan.
Fernando J.B. Martinho
In Visão, 25/9/97
Toda a poesia das Tisanas - que só pode ser encontrada na sua mais profunda dimensão se o leitor se libertar dos limites que
tantas vezes o oprimem e que outras tantas vezes ele mal vislumbra – é para ser apreciada em comunhão e tolerância, segundo
uma avaliação que admita que o outro pode ter mais razão, ou uma razão diferente. E se essa mesma poesia provocar um salutar
abalo nas consciências que a defrontam – então terá cumprido a sua missão.
José Martins Garcia
In posfácio a A Cidade das Palavras
Ana Hatherly es una de las figuras más activas de la corriente experimental. En sus poemas discursivos, tanto en verso como en
prosa, en los que el fluir significativo, más que referencial, se vale de una rica gama de infracciones desmitificadoras de la sintaxis
y el cursus, se advierte en seguida un grado de lirismo superior al los demás poetas de su tendência. El yo de la escitora, su
personalidad, está firmemente instalado, con sus aspiraciones y sus rechazos, en los campos semanticos creados por sus
poemas. Los titulados "tisanas", que oscilan entre lo mágico y la manipulación poética del acontecer inócuo por su vulgaridad,
muestran la ambición, de raíces humanistas, de non ser ajena a ningun de los aspectos de la realidad contra la que se debate –
para interiorizarla mejor – su original inspiración.
Angel Crespo
In Antologia de poesia portuguesa contemporanea
Es gibt Zeichnungen von Ana Hatherly, die aus winziger unleserlicher Schrift abstrakte Welten bilden. Für einige Plakaten zu ihren
Ausstellungen wurden Teile davon vergrößert. Das Ergebnis sind Aufnahmen von Mikroorganismen unter der Lupe, Explosionen des
Sinns: wie ihre Texte.
Elfriede Engelmayer
In Matices, nº 14
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